Parceiros:

 
Entrevista da jornalista Ana Elizabeth Diniz com o Dr. Marcio Bontempo
Entrevista por Ana Elizabeth Diniz
 

   Médico com formação em homeopatia, medicina ortomolecular, nutrição e saúde pública, Márcio Bontempo, foi eleito pelo também médico e alquimista Martius Gutezeit, que viveu no século 17, para receber e repassar para o povo as suas idéias alquímicas. Durante quase dois meses, ele psicografou a sabedoria médica do além.
   Com mais de 40 títulos publicados e um dos responsáveis pela implantação da medicina natural científica no Brasil, Bontempo tem estruturado seu atendimento clínico privilegiando o ser humano, restabelecendo a saúde e não apenas combatendo os sintomas.

   Bontempo diz que não é espírita, mas se coloca como um eclético, um livre-pensador e estudioso de todas as religiões e filosofias. Já procurou videntes, médiuns e de todos recebeu informações "meio desencontradas" sobre a presença de espíritos de mestres indianos (com turbante e tudo), de elevados médicos ocidentais desencarnados que o acompanham e o inspiram. Fez tentativa frustrantes e contato com esses guias. Leu alguns livros de Chico Xavier e outras obras psicografadas. "Duvidava delas, acreditando que fossem escritas pelo próprio autor, no caso o encarnado. Fiz jejuns, meditações e rituais particulares esperando por um contato, tudo em vão. Acabei desistindo e dedicando-me a outras atividades".

   Certo dia, no entanto, o médico começou a sonhar com um velho que dizia "coisas complexas, desconexas, incompreensíveis", lembra. Depois de muita persistência o velho de identificou como o doutor Martius Gutezeit, um alquimista que viveu na Alemanha aproximadamente entre 1650 e 1780. Foi perseguido pelos colegas e pelas autoridades por causa de suas críticas e opiniões relativas à classe médica, à medicina e à mentalidade de sua época.
Bontempo diz que percebeu que Gutezeit era dono de uma inteligência aguda e intuição profunda, preocupado em ajudar cada ser humano com carinho e dedicação inusitada". O material transmitido foi psicografado sob o título em latim de "Mea Opera Medica", que acabou figurando como subtítulo do livro "Medicina e Alquimia" que acaba de ser lançado.

Um médico psicografando um colega do século 17. Como foi isso para o senhor?

Dr. Marcio - Realmente não sei. Simplesmente comecei a sentir a necessidade de acordar durante a madrugada e escrever. Sei que me sentia " velho" e ficava muito cansado após duas horas de "trabalho" escrevendo coisas que " me vinham".

O senhor se preocupa com a crítica que possa receber de seus "colegas" cartesianos?

Dr. Marcio - Não, de modo algum. Para os versados na filosofia e no pensamento holístico, essa é uma oportuna obra de constatação, em que se verifica que "não há nada de novo sob o Sol" e que tudo aquilo que hoje consideramos novo, revolucionário e recém-criado na medicina nada mais é do que o velho pensamento dialético grego ou a metafísica tibetana com roupagens modernas. O doutor Martius acreditava que a medicina do futuro fosse bastante diferente daquela que conheceu. Infelizmente, as suas esperanças de que no futuro a medicina e os médicos fossem melhores não se concretizaram. A medicina oficial apenas progrediu, mantendo a pobreza filosófica, os médicos, de modo geral, conservam a intransigência, o ceticismo, a tradicional soberba e a lamentável cegueira para o lado simples das coisas.

Na sua opinião, o que o doutor Martius quis legar para a humanidade? O senhor considera viável ainda hoje a metodologia proposta por ele?

Dr. Marcio - Ele se preocupou em passar um tipo de conhecimento, de abordagem sobre o mistério do homem e da vida, além de noções de medicina e alquimia, simplesmente pela vontade de fazê-lo. Parece-me que ele não conseguiu ou não quis publicar esse trabalho na época e sentiu necessidade disso agora. Ou pode ser que o material tenha sido muito avançado para a época e só agora houve " autorização" para isso. Não sei mais, pois nunca tive um diálogo direto com Gutezeite. Não havia contato desse tipo entre nós. Eu não podia fazer perguntas. Depois dessa fase, nunca mais senti nada ou recebi qualquer informação. Mistério. A metodologia dele é tipicamente anacrônica, bem como a terminologia e temática. Tive de fazer adaptações que me foram muito difíceis.

Como o senhor vê hoje a relação entre medicina e alquimia?

Dr. Marcio - Depois desse trabalho em "parceria" com Gutezeit, vejo que , em essência, não são coisas diferentes. Difícil entender isso numa época em que o academismo cartesiano e o organicismo imperam. Mas estamos diante de uma grande mudança de paradigma na medicina ( e em tudo), onde a grande unidade mostra que nada é separado.

Na sua opinião, o planeta está doente? De onde viria a cura?

Dr. Marcio - O planeta está doente e a cura pode vir de vários modos. Pode vir de uma grande catástrofe natural, produzido pela própria natureza revoltada com a interferência do homem. Ou pode ser uma solução alopática, com movimentos sociais e espiritualistas conscientizantes. Pode ser homeopática, lenta, com a formação de novas gerações progressivamente mais respeitosas, fraternas, humanistas, espiritualizadas, conscientes.

Acredito que essa experiência de psicografar um médico tão inteligente quanto mordaz deve ter provocado no mínimo, muita reflexão. Qual a sua mensagem?

Provocou sim e mudou muita coisa em mim. É necessário vigiar contínua e minuciosamente os nossos sentidos, pensamentos e impulsos, verificando a sua real natureza e retificando-os pelo poder do discernimento e vontade. Isso realizando um trabalho individual, uma revolução interior. Devemos atuar em prol da humanidade, da melhor forma que puder, reduzindo o egoísmo e o egocentrismo, desenvolvendo a consciência planetária e depois a consciência cósmica.

Link da entrevista:
http://www.jornalinfinito.com.br/materias.asp?cod=135

Corrigindo: Dr.Marcio Bontempo é médico clínico geral, homeopata, ortomolecular, membro da Associação Brasileira de Nutrologia e especialista em saúde pública. Publicou até hoje 51 obras.

Site da editora Record: www.record.com.br
.