Médico
com formação em homeopatia, medicina
ortomolecular, nutrição e saúde
pública, Márcio Bontempo, foi eleito
pelo também médico e alquimista
Martius Gutezeit, que viveu no século 17,
para receber e repassar para o povo as suas idéias
alquímicas. Durante quase dois meses, ele
psicografou a sabedoria médica do além.
Com mais de 40 títulos
publicados e um dos responsáveis pela implantação
da medicina natural científica no Brasil,
Bontempo tem estruturado seu atendimento clínico
privilegiando o ser humano, restabelecendo a saúde
e não apenas combatendo os sintomas.
Bontempo diz que não
é espírita, mas se coloca como um
eclético, um livre-pensador e estudioso
de todas as religiões e filosofias. Já
procurou videntes, médiuns e de todos recebeu
informações "meio desencontradas"
sobre a presença de espíritos de
mestres indianos (com turbante e tudo), de elevados
médicos ocidentais desencarnados que o
acompanham e o inspiram. Fez tentativa frustrantes
e contato com esses guias. Leu alguns livros de
Chico Xavier e outras obras psicografadas. "Duvidava
delas, acreditando que fossem escritas pelo próprio
autor, no caso o encarnado. Fiz jejuns, meditações
e rituais particulares esperando por um contato,
tudo em vão. Acabei desistindo e dedicando-me
a outras atividades".
Certo dia, no
entanto, o médico começou a sonhar
com um velho que dizia "coisas complexas,
desconexas, incompreensíveis", lembra.
Depois de muita persistência o velho de
identificou como o doutor Martius Gutezeit, um
alquimista que viveu na Alemanha aproximadamente
entre 1650 e 1780. Foi perseguido pelos colegas
e pelas autoridades por causa de suas críticas
e opiniões relativas à classe médica,
à medicina e à mentalidade de sua
época.
Bontempo diz que percebeu que Gutezeit era dono
de uma inteligência aguda e intuição
profunda, preocupado em ajudar cada ser humano
com carinho e dedicação inusitada".
O material transmitido foi psicografado sob o
título em latim de "Mea Opera Medica",
que acabou figurando como subtítulo do
livro "Medicina e Alquimia" que acaba
de ser lançado.
Um médico psicografando
um colega do século 17. Como foi isso para
o senhor?
Dr. Marcio -
Realmente não sei. Simplesmente comecei
a sentir a necessidade de acordar durante a madrugada
e escrever. Sei que me sentia " velho"
e ficava muito cansado após duas horas
de "trabalho" escrevendo coisas que
" me vinham".
O senhor se preocupa com
a crítica que possa receber de seus "colegas"
cartesianos?
Dr. Marcio -
Não, de modo algum. Para os versados na
filosofia e no pensamento holístico, essa
é uma oportuna obra de constatação,
em que se verifica que "não há
nada de novo sob o Sol" e que tudo aquilo
que hoje consideramos novo, revolucionário
e recém-criado na medicina nada mais é
do que o velho pensamento dialético grego
ou a metafísica tibetana com roupagens
modernas. O doutor Martius acreditava que a medicina
do futuro fosse bastante diferente daquela que
conheceu. Infelizmente, as suas esperanças
de que no futuro a medicina e os médicos
fossem melhores não se concretizaram. A
medicina oficial apenas progrediu, mantendo a
pobreza filosófica, os médicos,
de modo geral, conservam a intransigência,
o ceticismo, a tradicional soberba e a lamentável
cegueira para o lado simples das coisas.
Na sua opinião,
o que o doutor Martius quis legar para a humanidade?
O senhor considera viável ainda hoje a
metodologia proposta por ele?
Dr. Marcio -
Ele se preocupou em passar um tipo de conhecimento,
de abordagem sobre o mistério do homem
e da vida, além de noções
de medicina e alquimia, simplesmente pela vontade
de fazê-lo. Parece-me que ele não
conseguiu ou não quis publicar esse trabalho
na época e sentiu necessidade disso agora.
Ou pode ser que o material tenha sido muito avançado
para a época e só agora houve "
autorização" para isso. Não
sei mais, pois nunca tive um diálogo direto
com Gutezeite. Não havia contato desse
tipo entre nós. Eu não podia fazer
perguntas. Depois dessa fase, nunca mais senti
nada ou recebi qualquer informação.
Mistério. A metodologia dele é tipicamente
anacrônica, bem como a terminologia e temática.
Tive de fazer adaptações que me
foram muito difíceis.
Como o senhor vê
hoje a relação entre medicina e
alquimia?
Dr. Marcio -
Depois desse trabalho em "parceria"
com Gutezeit, vejo que , em essência, não
são coisas diferentes. Difícil entender
isso numa época em que o academismo cartesiano
e o organicismo imperam. Mas estamos diante de
uma grande mudança de paradigma na medicina
( e em tudo), onde a grande unidade mostra que
nada é separado.
Na sua opinião,
o planeta está doente? De onde viria a
cura?
Dr. Marcio -
O planeta está doente e a cura pode vir
de vários modos. Pode vir de uma grande
catástrofe natural, produzido pela própria
natureza revoltada com a interferência do
homem. Ou pode ser uma solução alopática,
com movimentos sociais e espiritualistas conscientizantes.
Pode ser homeopática, lenta, com a formação
de novas gerações progressivamente
mais respeitosas, fraternas, humanistas, espiritualizadas,
conscientes.
Acredito que essa experiência
de psicografar um médico tão inteligente
quanto mordaz deve ter provocado no mínimo,
muita reflexão. Qual a sua mensagem?
Provocou sim e mudou muita coisa
em mim. É necessário vigiar contínua
e minuciosamente os nossos sentidos, pensamentos
e impulsos, verificando a sua real natureza e
retificando-os pelo poder do discernimento e vontade.
Isso realizando um trabalho individual, uma revolução
interior. Devemos atuar em prol da humanidade,
da melhor forma que puder, reduzindo o egoísmo
e o egocentrismo, desenvolvendo a consciência
planetária e depois a consciência
cósmica.
Link da entrevista:
http://www.jornalinfinito.com.br/materias.asp?cod=135
Corrigindo: Dr.Marcio
Bontempo é médico clínico
geral, homeopata, ortomolecular, membro da Associação
Brasileira de Nutrologia e especialista em saúde
pública. Publicou até hoje 51 obras.
Site da editora Record: www.record.com.br.