Foi realizada
na manhã de hoje (20/03) uma audiência
pública para discutir o projeto de lei,
de autoria do vereador Cláudio Cavalcanti
(PFL), que proíbe a utilização
de animais em experiências científicas.
Durante a audiência o parlamentar informou
que foi eleito com a plataforma única de
lutar em defesa dos direitos dos animais, e chegou
a comparar seu projeto com a abolição
da escravidão no Brasil: "a libertação
do uso de animais em pesquisa vai ser um grande
feito para o crescimento da humanidade".
Cláudio
Cavalcanti leu cartas de apoio à sua lei
que, segundo o próprio, vieram de várias
partes do mundo. Após seu discurso a palavra
foi passada a cientistas de várias partes
do país que são contrários
ao uso de animais em experiências. O cardiologista
do Instituto do Coração da Universidade
de São Paulo (Incor/USP), Marcelo Andrade
Ribeiro, que destacou que as principais universidades
do mundo já aboliram o uso de animais em
pesquisa. De acordo com o médico a matança
de animais continua em escolas de medicina sem
qualquer necessidade.
Ética
na ciência
Em seguida
foi o doutor em Saúde Pública pela
Universidade de São Camilo de São
Paulo, Márcio Bontempo, que falou da tendência
mundial de abolir a utilização de
animais. Citando o artigo 225 da Constituição
Federal, que trata da proteção da
fauna e da flora e incrimina a submissão
de animais à crueldade, o médico
perguntou: "O que vamos fazer? Mudar a Constituição?".
O Professor Thales de Astrogildo e Tréz,
da Universidade de Alfenas (MG), tratou da questão
sob o ponto de vista da ética no campo
científico. "A ciência erra
ao tornar indesejáveis valores como a emoção
e a compaixão", disse Thales.
A
seguir, o presidente da Comissão de Direito
Ambiental da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/RJ),
Dr. Wanderlei Rebello, citou outra legislação
que trata dos cuidados com animais, a Lei Federal
nº 9605/98. O advogado questionou ainda a
origem do suposto direito de maltratar animais
e terminou parafraseando Fernando Pessoa: "Maltratar
animal sob qualquer pretexto não vale a
pena e é coisa de quem tem alma pequena".
João Epifânio Régis, professor
de Filosofia Biológica da Universidade
Metodista de São Paulo, apresentou um balanço
dos argumentos utilizados por defensores e contrários
à Lei. A seguir, o Dr. Sérgio Greif,
biólogo da Companhia de Tecnologia de Saneamento
Ambiental (CETESB), ligada à Secretaria
do Meio Ambiente do Governo de São Paulo,
afirmou que o aumento da expectativa humana não
é fruto das experiências com animais,
mas da melhoria das condições de
vida da população.
Posições
contrárias
A vereadora
Sílvia Pontes (PFL), bióloga de
formação, mostrou-se contrária
à proposta. De acordo com a parlamentar
a ausência na audiência de representantes
de órgãos importantes como a Agência
Nacional de Vigilância Sanitária
(Anvisa) e de pesquisadores da cidade demonstra
a contrariedade dos cariocas com relação
ao projeto. A posição da parlamentar
foi endossada por Pedro de Oliveira, Professor
de Bioquímica Médica da Universidade
Federal do Rio de Janeiro, que num discurso inflamado
convocou os defensores do fim da vivisecção
a se candidatarem como voluntários nas
pesquisas. O convite foi prontamente aceito por
Cláudio Cavalcanti.
Participou
ainda da sessão o vereador Sebastião
Ferraz (PMDB).
Por
Elaine Dourado e Roseane Almeida, da Ascom/ CMRJ.
fonte: http://www.camara.rj.gov.br/noticias/2006/06/20.htm