O
Consumo de Carnes é um ato Ecológico? -
Carta aos Ecologistas
Por Dr.Marcio
Bontempo
Prezados
amigos ecologista,
Coerência
é uma coisa exigida para autenticar o que
fazemos fazer com que nos respeitem e com que
respeitemos a nós mesmos. Um verdadeiro
ecologista não apenas milita pela natureza,
mas procura viver e ser um exemplo de ação
em todos os sentidos. Além de crítico,
defensor e patrulheiro, é preciso ser também
um autocrítico e conhecer todas as possibilidades
de proteger a natureza. Temos visto ecologistas
que lutam pela defesa do meio ambiente, mas não
dão bom exemplo em termos de comportamento
e hábitos. E não é por atirarem
lixo pela janela, comprarem detergente não
biodegradável, usarem demais o automóvel
e menos a bicicleta, fumarem, ou outros maus exemplos
de atitudes antiecológicas. Estamos falando
de hábitos que produzem efeitos piores
e que são comuns a muitos companheiros.
Estamos falando da dieta antiecológica.
Sabia disso? Sabia que é possível
ajudar a natureza, simplesmente selecionando melhor
os alimentos e escolhendo-os com consciência?
Por exemplo: não comendo carne! Quer saber
como? Aqui vão alguns dados importantes...
(por favor, resista
aos impulsos obscuros que tendem a evitar o
contato com verdades e fatos que podem perturbar
a rotina dos hábitos e vícios
alimentares enraizados e atávicos, mais
baseados nos desejos gulosos, e leia!)
A
produção de gado, sem contarmos
com o caso dos frangos e porcos, é uma
ameaça primária ao meio-ambiente
global. É um dos principais contribuintes
para o desmatamento, a erosão do solo
e conseqüente desertificação,
a escassez de água, a poluição
dos rios, lençóis freáticos,
mares e mananciais de águas, o esgotamento
dos combustíveis fósseis, efeito
estufa, extinção de animais e
perda da biodiversidade.
Quase
a metade da massa de terra do globo é
usada como pasto para gado e outras criações.
Cerca de 80% de todo o desmatamento e desaparecimento
de florestas, no planeta inteiro, deve-se ‘a
pecuária. Em pastos muito férteis,
2,5 acres podem sustentar uma vaca por ano,
em pastos de qualidade marginal, é preciso
50 ou mais acres.
Se
não reduzirmos em pelo menos 20% o consumo
de carne bovina no Brasil, até 2020 não
teremos mais mata atlântica.
Fazendas
de gado são uma causa primária
do desmatamento na América Latina. Desde
1960, mais que 1/4 de todas florestas da América
Central foram arrasadas para criar pastos para
o gado. Quase 70% da terra desmatada no Panamá
e Costa Rica agora é pasto.
Apenas
um só hambúrguer médio
requer o desmatamento de aproximadamente 6 metros
de floresta tropical e a destruição
de 165 libras de matéria viva incluindo
20 a 30 diferentes espécies vegetais,
100 espécies de insetos, e dúzias
de espécies de aves, mamíferos,
e répteis.
Erosão
do Solo e Desertificação O gado degrada a terra ao tirar a vegetação
e compactar a terra. Cada animal que pasta num
campo aberto come 900 libras de vegetação
a cada mês. Seus poderosos cascos pisoteiam
a vegetação e comprimem o solo
com um impacto de 24 libras por polegada quadrada.
Escassez
de água Produzir uma libra de proteína
de carne muitas vezes requer até 16 vezes
mais água que produzir uma quantidade
equivalente de proteína vegetal. Só
para produzir uma porção de proteína
de ave, são necessárias 100 vezes
mais água do que seria exigido para a
mesma porção de proteína
vegetal, da soja.
Esgotamento dos
combustíveis fósseis Atualmente
é necessário um galão de
gasolina para produzir uma libra de carne alimentada
com grãos nos E.U.A.. O consumo anual
de carne de uma família americana comum
com quatro pessoas, requer mais de 260 galões
de combustível e libera 2.5 toneladas
de CO2 para a atmosfera, o tanto que um carro
comum libera num período de 6 meses.
Efeito estufa O gado
emite metano, outro gás do efeito estufa,
via arrotos e flatulência. Cientistas
estimam que mais de 500 milhões de toneladas
de metano são liberadas a cada ano e
que os 1.3 bilhões de gado e outras criações
ruminantes do mundo, emitem aproximadamente
60 milhões de toneladas ou 12% do total
de todas fontes. Metano é um sério
problema porque uma molécula de metano
retém 25 vezes mais calor solar que uma
molécula de CO2.
O
consumo de carne e a fome no mundo
Uma
alimentação vegetariana, além
de favorecer a saúde, de contribuir para
a preservação ambiental, é
uma opção que tem por base a consciência
quanto a aspectos sócio-econômicos.
Optar por uma dieta vegetariana, contribui, de
alguma forma, para reduzir a situação
intolerável da fome no mundo.
Vejamos como:
Segundo
a FAO (Organização para a Alimentação
e agricultura) a produção de carne
causa fome e pobreza humana, ao desviar grãos
e terras férteis para sustentar gado em
vez de pessoas. Nos países em desenvolvimento,
a produção de carne perpetua e intensifica
a pobreza e injustiça, particularmente
se a ração do gado ou aves é
produzida para exportação. Se conservássemos
a produção de cereais e a distribuíssemos
aos pobres e subnutridos, em vez de dá-la
ao gado, poderíamos facilmente alimentar
quase toda a população subnutrida
do mundo.
Muitos ambientalistas não
têm a informação de que o
consumo de carne é danoso para o meio ambiente.
Mas o que preocupa é que muitos, ao receberem
essa informação, continuam a comer
carne.
Com base nessas informações,
uma das coisas mais incoerentes e absurdas é
um ato ecológico, evento ou encontro ambiental,
“coroado” com um “bom churrasco”.
O “churrasco ecológico....”.
Tenho visto companheiros que tomam
conhecimento destas coisas e continuam a comer
carne. Essa atitude é a expressão
de uma fraqueza. Mas tenho visto companheiros
valorosos que percebem ser o simples ato de não
comer carne vermelha, um grande passo que acaba
por gratificar-nos interiormente de um modo inexplicável,
pois a nossa auto estima, nosso auto-respeito
nos fortalecem nessa decisão. Sabe aquela
sensação de vitória, de poder
interno? E o contrário disso, quando você
acaba comendo carne e depois a consciência
pesa... E fica pesada, por muito tempo... Quer
dizer, o prazer que o churrasco ou a picanha lhe
proporcionaram, não valeu, foi momentâneo,
rápido e curto para poder compensar esse
peso que lhe acompanha agora.
Mas vc tem uma alternativa se
quiser - ao menos reduzir ou anestesiar um pouco
- esse tormento: vc pode fazer como a maioria
dos “ecologistas”, que é enganar
a si próprio e negar os apelos da consciência
(que, no entanto, vai estar sempre lha chamando
de idiota...); para tentar abafar um pouco a pressão,
vc pode fazer piadinhas sem graça sobre
a comida vegetariana, pode “gozar”
algum companheiro veggie oferecendo um sanduíche
de grama... Num grupo, pode exibir aquele sorriso
besta afirmando - sempre sem graça por
dentro - que “nada como uma boa carninha...”.
Mas no fundo, sabe que o preço que vc paga
por essa atitude trivial é a perda do próprio
respeito.
Sabe, uma vez que vc recebe uma
informação importante e verdadeira,
vc adquire responsabilidade quanto ao que fará
quanto a isso a seguir...
E, por favor, não esse
argumento desgastado, batido e já sem graça
de que vc precisa de proteínas... Hoje
sabemos que a dieta vegetariana é muito
mais saudável e completa, inclusive prevenindo
as doenças que a carne transmite. Inclusive,
vc mesmo sabe que existem cardápios e pratos
deliciosíssimos que não precisam
levar carne. Tenha dó! Mas já pensou
no exemplo vivo e consciente que vc vai ser se
parar de comer carne?
Da próxima vez, quando
vc for comer um pedaço de carne, uma picanha
ou um hambúrguer, tenho a certeza de que
vc vai lembrar de mim. Vai lembrar que está
ajudando a destruir um pouco daquilo que vc defende,
a natureza. E vai sentir que está sendo
incompleto, fraco e incoerente. Vai se sentir
mal com consigo mesmo e com a sua fraqueza, que
é de passar por cima de um apelo mais profundo
da consciência - pois vc sabe que está
errado – simplesmente por ceder a um mero
e fugaz desejo de prazer. Pior quando a gente
usa pretextos infundados e infantis para comer
um pedaço de animal. E, por favor, não
me venha dizendo que isto é conversa de
vegetariano, “natureba”, etc. Amigo!
Amiga! É mais um pretexto, mais um truque
do seu lado ainda fraco. E pior, vc sabe disso,
e sabe que eu tenho razão... E olha que
eu estou lhe dando um voto de confiança,
considerando que vc não vai nem pensar
em usar o argumento irracional “de que adianta
eu não comer carne se tanta gente come..”
ou, mais insano e alienado ainda: “mesmo
se eu parar, não nada vai mudar”.
Olha lá heim! Há muito tempo sabemos
que o global é um reflexo de soma das atitudes
e ações de cada pessoa. Não
fosse assim não adiantaria praticar atos
ecológicos, pois os outros estariam poluindo....
Cuidado. Essa é a nossa primeira lei. Atento!
Um ecologista autêntico
é completo mesmo. É total. Tem dignidade
para respeitar a si mesmo e a sua consciência.
Tem força para superar seus desejos e fraquezas.
De que outro modo você pode exigir coerência
dos outros, dos destruidores da natureza, dos
poluidores? Não é apelando para
a consciência deles que vc atua para proteger
a natureza? Não é assim? Vc pede
que tenham consciência de que estão
destruindo o futuro, agredindo a natureza, etc.
Só assim vc pode e tem atuado. Você
e os grupos ambientalistas do mundo inteiro. Não
há outro modo. Pois então, eu também
estou pedindo isso à vc: que tenha consciência
de que comer carne é simplesmente, e nada
mais do que isso, a atitude pessoal mais antiecológica
possível. Pense nisso, companheiro. Pense
nisso.