O
Açucar Branco e Outros Perigos da Alimentação
Moderna
Fonte: Alimentação
para um Novo Mundo
Autor: Marcio Bontempo
Editora: Record
Açúcar
branco
Não
existe na natureza nenhum tipo de composto isolado
e concentrado como a sacarose - o açúcar
refinado. Todos os alimentos são compostos.
Ele, o açúcar, é obra do
homem, que conseguiu a façanha de retirar
de um alimento integrado, como a beterraba e a
cana, apenas um princípio químico
ativo. Portanto, o açúcar refinado
deve ser visto como uma droga, de preferência
em duplo sentido, de modo a evidenciar a sua realidade.
A
natureza sempre forneceu-nos energia química,
representada pela glicose e compostos semelhantes,
presentes em estruturas de cadeias moleculares
mais complexas, os açúcares compostos,
os amidos, encontrados nos cereais, nas frutas,
nos tubérculos, nas raízes, etc.
O organismo sempre contou com a mastigação
para digerir o amido na boca, pela ação
da ptialina, enzima capaz de quebrar as cadeias
moleculares de modo a obter glicose, frutose,
dextrose e outros açúcares primários,
capazes de gerar energia quando assimilados. Com
a “descoberta” do açúcar
refinado, criou-se um elemento novo para o organismo,
capaz de fornecer imediatamente uma enorme carga
de glicose. E sem exigir mastigação
(uma vez que o açúcar é ingerido
diretamente dissolvido nas bebidas e comidas).
Só que o organismo não contava com
isso. Acostumado há milênios com
o contato com o amido, a frutose, etc, agora ele
passou a trabalhar com uma nova informação:
a presença de cargas super rápidas
de glicose.
Antes
do surgimento do açúcar não
era costume acrescentar nenhum adoçante
aos alimentos. Apreciava-se o sabor natural de
tudo. A idéia de adoçar as bebidas
e os alimentos surgiu há pouco mais de
dois séculos (e intensificou-se nos últimos
cinqüenta anos). Depois do incremento do
plantio da cana-de-açúcar na América,
a Europa criou um mercado consumidor que se ampliou
enormemente; mesmo assim, o açúcar
consumido pelos ingleses, franceses, alemães,
espanhóis e os demais, era o açúcar
mascavo marrom, muito forte e carregado, mais
destinado à fermentação precoce
da cerveja e do vinho que para adoçar tortas,
bolos, compotas e, muito menos, sucos, leite matinal,
etc.
O
paladar dos povos do passado era voltado para
a apreciação do sabor conforme a
natureza do próprio alimento; os burgueses
da França de Luiz XV, por exemplo, preferiam
o pão integral bruto, com sabor forte de
trigo, aos croissants e brioches consumidos pela
Corte, adoçados com o mascavo oriundo do
caribe; eles achavam esses alimentos enjoativos
e sem capacidade de sustentar um trabalhador,
um soldado ou um agricultor; apenas os aristocratas
de vida sedentária e tediosa poderiam dispor
dessas guloseimas feitas com farinha empobrecida
e repleta de açúcar formador de
gases intestinais.
Os
exércitos, antigamente, também não
consumiam açúcar. Se o fizessem,
talvez precisassem de um contingente de igual
número de homens para transportar toneladas
de sacos do mascavo necessário para "energizar"
dez, vinte, cinqüenta ou cem mil pessoas...
Quanto
ao mel ou outras formas de açúcares,
também não havia o hábito
de acrescentá-los aos alimentos.
O
açúcar é prejudicial á
saúde por ser um produto muito concentrado
que desestabiliza os mecanismos de compensação
do organismo e exige complementação
bioquímica, o que produz perdas minerais
(cálcio, magnésio, etc.) crônicas
e constantes.
Hoje
as pessoas praticamente viciaram-se no açúcar
e, só nos Estados Unidos, a média
de consumo de açúcar é de
aproximadamente 300 gramas por pessoa. Isso significa
9 quilos de açúcar por mês
e... Cerca de 100 quilos por ano!
Se
entendermos que o açúcar é
totalmente desnecessário para o organismo,
que todo açúcar que o corpo precisa
ele retira dos alimentos comuns (glicose) e que
todo excesso de açúcar tem efeito
desequilibrante, então podemos ter uma
breve idéia dos perigos que o hábito
representa. O consumo de açúcar
está ligado às seguintes doenças:
Arteriosclerose
Hipercolesterolemia
Câncer
Hipoglicemia
Cáries dentárias
Obesidade
Deficiência imunológica
Osteoporose
Depressão psíquica
Reumatismo
Diabetes melito
O
hábito de consumir açúcar
branco é hoje considerado uma das causas
do aumento da incidência do diabetes. Como
vimos, o organismo humano está preparado
para receber a glicose proveniente dos cereais,
frutas, legumes, leguminosas, etc. A glicose é
importante como fonte de energia para as células.
Normalmente, temos glicose suficiente reservada
no fígado (sob a forma de glicogênio,
ou na própria capa gordurosa, que se desdobrando
fornece energia). Isto explica porque antigamente
não necessitávamos de açúcar
branco, nem mesmo o mascavo, mel etc. Esta glicose
(ou a frutose) é derivada da quebra da
molécula do amido, o que permite uma assimilação
lenta do nutriente; daí o amido ser considerado
um “açúcar lento”. O
açúcar branco fornece cargas muito
rápidas e imediatas de glicose, por isso
é chamado de “açúcar
rápido”. Cada molécula de
sacarose possui apenas duas moléculas de
glicose, que são separadas muito rapidamente
no tubo intestinal. Esse fato engana o metabolismo
glicídico, que envolve reações
muito complexas das quais participam enzimas,
insulina, mediadores químicos, mecanismos
de feedback, etc. Sabendo-se que o corpo humano
está “programado” para lidar
bem com o açúcar lento, de modo
a poder metabolizá-lo convenientemente,
obedecendo aos parâmetros autoreguladores,
quando se ingere uma quantidade grande de açúcar
branco, o organismo se confunde e acaba se desregulando
com o tempo.
Há
um mecanismo de regulação dos níveis
de glicose no sangue que procura manter entre
70 e 120 mg. por 100 ml. Quando este nível
é ultrapassado, um pouco mais de insulina
é liberado para compensar e manter essa
taxa normal. Um simples sorvete pode provocar
elevações dos níveis de glicose
acima de 300 mg. mas, apenas, num trecho de 100
ml. de sangue. E este é o problema: o nível
de glicose se eleva num pequeno trecho do sangue
proveniente dos intestinos, onde o açúcar
foi rapidamente assimilado; os sensores do fígado
e do pâncreas “avisam” o cérebro
de que a quantidade de glicose captada é
de “300 mg”.e este determina a liberação
de insulina relativa a essa quantidade, que não
é uma realidade para a totalidade do sangue
circulante. Isto ocorre porque a “programação”
biológica do organismo é para a
assimilação de açúcar
“lento”, que, sendo assimilado gradativamente,
permite uma saturação de glicose
também lenta e de modo bem distribuído.
Esta situação acontecendo vez ou
outra não causa problema, mas desde que
seja constante, através dos anos - como
mostra a realidade dos hábitos alimentares
modernos - produz um condicionamento metabólico
e bioquímico com a liberação
constante de insulina um pouco além do
normal. Com isto há uma tendência
a se instalar uma situação de constante
baixa dos níveis de glicose (hipoglicemia
reativa ou funcional), apesar de se consumirem
quantidades elevadas de açúcar (glicose).
A pessoa desenvolve, assim, uma necessidade constante
de doces ou açúcar, que pode ser
crescente, transformando-se, freqüentemente,
em compulsão.
A
hipoglicemia é uma situação
orgânica variável, que pode afetar
as pessoas de várias maneiras. Pode ser
imperceptível, com apenas um pouco mais
de fome proximamente às refeições,
ou algumas tonteiras passageiras e ansiedade,
até graus intermediários com sudorese,
taquicardia, cansaço, falta de memória,
ansiedade mais forte ou depressão que,
curiosamente, desaparecem temporariamente com
a ingestão de doces. Em graus mais acentuados,
a hipoglicemia pode determinar desde distúrbios
orgânicos subjetivos, semelhantes a um distúrbio
neurovegetativo, com sensações corporais
ruins de difícil descrição,
pensamentos estranhos e depressão forte.
Estes casos, sempre relacionados com certa melhora
temporária quando se ingere açúcar,
freqüentemente são encaminhados para
tratamento psiquiátrico ou psicológico.
A única forma de melhora é através
da suspensão gradativa do açúcar
(tratamento idêntico ao dos toxicômanos
e farmaco-dependentes) e adoção
de dietas muito controladas.
À
medida que a situação deste tipo
de hipoglicemia se mantém, pode acontecer
uma falência relativa da capacidade do pâncreas
em produzir insulina, elevando-se os níveis
de açúcar do sangue (hiperglicemia),
surgindo assim o diabetes. Isto, porém
depende sobremaneira da predisposição
herdada pelo organismo. Pré-diabéticos
têm maior tendência para ter hipoglicemia
primeiro e, depois, diabetes em graus variáveis,
desde aquele controlável com dietas e/ou
hipoglicemiantes orais ou aqueles que exigem insulina
sintética.
Esta
é a relação do açúcar
com o crescimento da incidência de diabetes
no mundo, segundo dados oficiais e diversos estudos
modernos.
Por
sua ação desmineralizante, antinutriente,
condicionante, desreguladora e viciante açúcar
é considerado um dos produtos mais prejudiciais
ao organismo.
É
importante se consumir os alimentos como a natureza
os fornece; portanto, não é preciso
acrescentar nada aos sucos, às saladas
de frutas, etc. Existem formidáveis receitas
de doces caseiros, de tortas e bolos sem açúcar,
adoçados apenas pela capacidade culinária,
imitada aos antigos, de apurar o açúcar
próprio das frutas, ou de usar apenas pequenas
quantidade de mel (que não é saudável
quando aquecido). Bananas, mangas, laranjas, morangos,
tâmaras, etc., possuem o próprio
açúcar (frutose), que pode ser apurado
por cozimento, bastando acrescentar uma pitada
de sal marinho.
O
hábito de usar o açúcar branco
surge do condicionamento do paladar desde o nascimento,
quando as mamadeiras do aleitamento artificial
já recebem sacarose ou outras formas concentradas
de açúcares.
Um
dos ensinamentos principais da alimentação
natural é o de não fornecer às
crianças alimentos adoçados. Nenhum
açúcar, ou antes, nenhuma glicose,
é necessário ao corpo humano, além
daquele presente naturalmente nos alimentos. O
raciocínio serve não só para
crianças como para adultos, desportistas,
doentes, gestantes, lactantes, etc.
Para
que se tenha saúde e equilíbrio
é preciso praticar uma alimentação
sem açúcar branco, tolerando-se,
eventualmente, mel ou açúcar mascavo
em algumas guloseimas inevitáveis, como
bolos de aniversários, tortas, etc. Para
as crianças ou adultos dependentes dos
alimentos muito adoçados, convém
proceder a uma eliminação gradativa
e inteligente dos mesmos; nessa fase, tanto o
mel quanto o açúcar mascavo podem
assumir uma função importante, até
que se estabeleça uma dieta completamente
natural.
Adoçantes
artificiais são muito perigosos para a
saúde, talvez mais que o próprio
açúcar branco; o ciclamato e a sacarina
são proibidos em numerosos países
devido a seu potencial cancerígeno e teratogênico
(deformações no feto). O aspartame,
apesar de ser um produto dito "natural",
é um derivado sintético da fenilalamina,
capaz de produzir vários problemas orgânicos,
mas de intensidade menor.
No
caso de necessidade de adoçar, sugere-se
a estévia verdadeira (em pó); existem
falsificações e misturas de estévia
nos chamados "adoçantes naturais"
que não são recomendáveis.