![]() Denise Margis Assessoria de Comunicação / Instituto Brasileiro de Ação Responsável Cobertura: II Fórum Nacional de Políticas de Saúde - 04/03/2010 Para uns a questão é estrutural e técnica. Para outros,
falta decisão e vontade política dos governantes. O II Fórum Nacional de
Políticas de Saúde promoveu ontem (4/3), em Brasília, um caloroso debate sobre
os caminhos para a sustentabilidade do setor. O evento lotou o auditório do
Interlegis, no Senado Federal.
O II Fórum Nacional de Políticas de Saúde movimentou, ontem (4/3), o
auditório Antônio Carlos Magalhães do Interlegis (Senado Federal). O
evento trouxe à reflexão o tema "Sustentabilidade do Setor de Saúde no
Brasil". Os empecilhos da saúde pública atual no país foram os pontos
chaves do debate, que contou com a participação de representantes do poder
público e privado, sociedade civil, além de gestores e profissionais
da área.
A idéia de se pensar em instrumentos e mecanismos que possam auxiliar na
formulação de políticas de saúde foi consensual durante o II Fórum Nacional
de Políticas de Saúde. Na ocasião, o deputado Darcísio Perondi apresentou
dados sobre os gastos com a saúde e os desafios para a sustentabilidade do
setor no Brasil. Ressaltou a má condição de vida do brasileiro, o
descumprimento do modelo SUS de fazer saúde, a gestão inadequada e os
efeitos do subfinanciamento. Na oportunidade, o deputado desafiou as
grandes centrais sindicais, a entrarem na luta pela regulamentação da
Emenda Constitucional 29, que vai garantir mais recursos para a saúde e
tirar o SUS da crise.
Os deputados federais Solange Amaral e Dr. Ubiali chamaram atenção para
os altos custos da saúde no pais e a necessidade da ampliação de políticas
voltadas para a prevenção das doenças.
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O presidente do Conselho Nacional de Saúde, Francisco Batista Júnior,
colocou como 'instigante' o tema em questão: sustentabilidade do setor.
De acordo com ele, o Sistema Único de Saúde passa por problemas que, se
não forem sanados, poderão causar problemas ainda maiores. Segundo
Batista, os Conselhos de Saúde enfrentam dificuldades, que se estendem
desde a falta de qualidade na intervenção e de estrutura para
funcionamento, até o descumprimento sistemático das suas deliberações.
"Um sistema prioritariamente de tratamento da doença, sem um forte e
decisivo componente de promoção e prevenção, operando na lógica de
mercado em sua quase totalidade, com um controle social falho e uma
força de trabalho precária, é impossível de ser financiado em sua
plenitude”, concluiu.
Para o vice-presidente executivo do Sindicato da Indústria de Produtos
Farmacêuticos no Estado de São Paulo, Nelson Mussolini, o impacto da
carga tributária sobre os medicamentos é um dos maiores obstáculos
para a garantia da sustentabilidade da saúde no Brasil.
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Na opinião do presidente da Associação Nacional do Ministério Público
de Defesa da Saúde, Jairo Bisol, mais do que questões técnicas, que
dificultam a sustentabilidade do setor, falta decisão política e,
consequentemente, vontade dos governantes. "Se o SUS está
constitucionalizado, ele é um direito de estado. Desse modo, os governos
não cumprem a constituição. Então erramos enquanto estado assumindo a
questão de gestão da saúde", afirmou ele, enfatizando a questão da
contratação de terceirizados na gestão dos órgãos da área de saúde.
Na oportunidade, Bisol citou ainda a saúde do Distrito Federal como
vergonhosa: “é uma vergonha a saúde do DF. Havia aqui uma estrutura que
poderia ser facilmente regulada, mostrando a amplitude da saúde pública.
Mas, o equivoco aconteceu e a coisa também não andou" ;.
A má vontade de gestores em enfatizar o real papel da FIOCRUZ também foi
ponto de críticas do presidente da AMPASA. “Recentemente, falou-se em
transformar a Fundação numa empresa, com fins lucrativos”, lamentou.
A situação da saúde suplementar também foi apresentada no Fórum, pelo
gerente técnico da Federação Nacional de Saúde, Sandro Leal Alves, que
falou sobre as tendências do setor, a dinâmica do mercado e as ameaças
para a sustentabilidade do setor.
O presidente da Federação Brasileira de Medicina Tradicional, Dr. Márcio
Bontempo, foi o responsável pela moderação dos trabalhos e habilmente
manteve o diapasão da visão da democratização das ações de saúde e da
sustentabilidade no setor, conduzindo os trabalhos com foco na necessidade
de uma redefinição das políticas públicas de saúde no Brasil, numa mudança
de paradigmas onde se melhora o que já é bom e funciona, mas criando
novos programas e caminhos. Ele apontou que em todos os eventos com foco
na saúde, os discursos são sempre muito parecidos e não se resolve
praticamente nada. Fala-se dos problemas do SUS, dos problemas de
financiamento, acusa-se isso ou aquilo, mas não se toca no cerne da
questão, que é a necessidade de se ajustar um modelo de assistência à
saúde às reais necessidades da população. Segundo ele, o modelo atual
é centrado no médico e não valoriza os demais profissionais de saúde.
É fundamentado no uso de medicamentos, o que não traz saúde e ainda
onera os cofres públicos. Ele enalteceu a necessidade de se aplicar as
terapias integrativas, naturais e complementares, de se investir mais
no setor primário de saúde, na prevenção, na capacitação e melhoria dos
salários dos agentes comunitários de saúde, na ação de equipes
multidisciplinares atuando dentro das comunidades e não apenas
aguardar que o usuário procure os serviços. Enalteceu a necessidade
de que as políticas de saúde no Brasil devem se alinhar às orientações
da OMS e da OPAS, com base na Medicina Tradicional. Ele informou que o
Brasil, a maior biodiversidade do mundo, é, paradoxalmente, o segundo
maior importador mundial de medicamentos, devido a um modelo inadequado.
Demonstrando ampla experiência, o moderador evidenciou a necessidade de
se regulamentar a Emenda 29, a Portaria 971 do MS, de se ampliar o PSF,
de se fundamentar um novo modelo social de saúde com ênfaser na educação
em saúde; de se promover uma Nova Reforma Sanitária Brasileira, caso
contrário, nada vai mudar e a Saúde que vai continuar plena de problemas,
controlada pelos interesses dos cartéis da Indústria Farmacêutica,
marcada pela corrupção, pelo sub-financiamento, pela má gestão, pelos
desvios de verbas, pelas fraudes, com pleno prejuízo dos brasileiros.
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