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Quem lê os nossos textos sobre os danos provocados
pelo consumo de carne - principalmente a bovina
- pode perceber que existe uma escala, onde atribuímos
alguns graus à forma como as pessoas discernem
sobre essa questão. Há vários
modos pelos quais uma pessoa pode se convencer
de que deve parar com esse troglodítico
hábito, variando desde questões
ambientais, passando por questões morais,
sentimentais, econômicas, religiosas, espirituais,
filosóficas, morais, éticas, até
chegar aos sérios e contundentes argumentos
ligados à esfera da saúde. Percebemos
que esses diferentes aspectos “tocam”
as pessoas segundo o seu grau de entendimento
e tornam-se fatores principais e convincentes,
capazes de influenciar a decisão de adotar
uma dieta inteligente e humana, ou seja: a vegetariana.
Penso que muitos, os mais sensíveis, são
convencidos pela totalidade desses fatores, mas
há aqueles para os quais apenas um fator
é suficiente. Há conhecidos e clientes
que mudaram por preocupação com
a saúde. Há leitores meus, ecologistas
sensíveis, que pararam de comer carne devido
a questões ambientais. Tanto fatores gerais
quanto particulares são elementos de convencimento
para a mudança. E incluo que é fantástico
quando uma pessoa assim mudada, passa a militar
em favor da causa do vegetarianismo, numa espécie
de apoteose.
Mas
há o outro lado da moeda. Verifico que
existem aqueles que relutam, que buscam argumentos
(frequentemente infantis, grotescos e bisonhos)
e pretextos para continuarem a comer carne. Percebe-se
que essas pessoas não apresentam o grau
de sensibilidade, de discernimento e até
de intelectualidade, para perceber o erro. Sinceramente,
identifico uma incapacidade espiritual, uma “tacanhez”
(data vênia ao o chulo neologismo) que as
mantêm nas dimensões inferiores dos
planos evolutivos. Os argumentos mais empregados
aparecem para justificar uma incapacidade de superar
instintos inferiores e impulsos atávicos
da era pré-histórica. Mais modernamente
entendemos que o prazer pela carne é uma
dependência gerada por uma oralidade não
resolvida, um processo neurótico ou estágio
psíquico atrasado, que provoca ansiedade
alimentar ou prazer imoderado no comer. Então
temos dois grupos: o das pessoas que se conscientizam
de que devem parar e aqueles que, mesmo depois
de ouvirem argumentos contundentes, continuam
a fazê-lo. Mas assim como no primeiro grupo
existem alguns passam a militar pela causa, no
segundo, também existem aqueles que se
dedicam difundir o hábito da comer cadáveres
temperados e queimados, como sendo algo - pasmem
! – saudável. Estes são piores
do que os simples adeptos dos duvidosos prazeres
da carne, ou seja, aqueles que se limitam a emitir
os surrados clichês em defesa desse hábito.
A
ONG Instituto Pró-Carne é a confederação,
o valhacouto dos carnívoros que representam
o lado extremado do habito insano. São
exatamente o oposto daqueles que militam pela
causa da consciência alimentar. São
eles que criaram uma sinistra campanha que ora
mobilizam nacionalmente, em favor do consumo de
carne. Certamente que não atuam assim por
ideal, pois, por estarem engajados numa atividades
dessas, não devem ter alcance para saberem
que é isso (um ideal); assim agem - em
sua mentalidade tosca – por se permitirem
a serem marionetes dos interesses do empresariado
pecuarista. Com o avanço do vegetarianismo
e da consciência alimentar, a classe sem
classe dos criadores de gado está procurando
proteger seus lucros através do estímulo
ao consumo da carne e, para isso, precisa de pessoas
de poucas luzes espirituais. É lamentável
que se tenha criado uma campanha dessas e a passem
adiante. Vamos torcer para que esse manifesto
da Pró carne seja “mal passado”,
assim como os nacos de vaca semi-crua que tanto
veneram.
Slogan
da Campanha Pró-Carne: Coma carne: é
saborosa, é saudável, é natural.
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