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O modelo atual de prestação de serviços de saúde, apesar
de toda a evolução do Sistema Único de Saúde - o SUS, ainda é ineficiente e não
cumpre o desiderato apontado na Constituição, de que é dever do Estado oferecer
ao cidadão todos os meios para que ele goze de boa saúde. Ao contrário, o
modêlo continua sendo alvo de críticas e, historicamente, se mostra como um
sistema que oferece serviços de baixa qualidade à população e remunera mal os
profissionais da rede pública de atendimento. As verbas federais repassadas
aos estados e municípios, continua insuficiente para bem atender a todos os
programas do MS e as necessidades da população.
Enquanto não são de fato ventiladas as causas desse caos,
continuarão a perdurar as filas nos hospitais e clínicas; continuarão exames,
consultas e cirurgias a serem marcados com datas ridiculamente distantes
(muitas vezes quando o paciente melhorou por conta própria ou morreu);
continuará a persistir a insatisfação do usuário; continuarão a morrer
cidadãos que necessitam de, por exemplo, hemodiálise, que não conseguem
agendar seu procedimento por falta de equipamento e espaço; continuará o
sucateamento e todos demais itens da enorme lista de problemas da asistência
à saúde pública no Brasil.
E quais as causas reais dessa situação?
Apesar de muitas propostas de solução para a questão da assistência à saúde
pública, nenhuma delas tem se mostrado eficaz, pois elas carecem do elemento
essencial, que não é comumente verificado nas discussões:
Temos um sistema de assistência e uma política de saúde inadequados à
realidade social, cultural e econômica brasileira.
No Brasil o Governo investe muito no setor terciário (tecnologia de
ponta, equipamentos caros, hospitais, etc.) e pouquíssimo, quase nada,
no setor primário de saúde.
O setor primário em saúde é aquele em que se valoriza o aspecto cultural
da população, identificada com seus princípios, valores, recursos naturais
e humanos, além de outros elementos, utilizando-se pessoas e profissionais
como agentes de saúde para atuar dentro das comunidades, capacitados,
assistidos por profissionais de maior formação técnica, dentro de um modêlo
multiprofissional e multidisciplinar de atenção à saúde. Foi o foco e o
investimento no setor primário de saúde que produziu uma verdadeira
revolução na situação de saúde da China, Índia, Cuba e diversos outros
países, incluindo a re-incorporação da medicina tradicional.
O sistema e a política de saúde no Brasil é por demais centralizado no
médico (dito “iatrocêntrico”) e, portanto, fundamentado no princípio de
combate às doenças (que é aquilo para o qual o médico é treinado).
O resultado é que a terapêutica centrada na medicação, na cirurgia ou
ambos.
As verbas repassadas pelo Governo Federal aos estados e municípios para
a saúde, não são suficientes para atender a todas os programas e as
necessidades da população, resultando numa situação caótica, onde a
chamada “municipalização da saúde”, como reza a política de saúde atual
do SUS, torna-se impossível.
Numa linguagem simples, fugindo do “sanitarês”, para todos entenderem:
No atual modelo cidadão procura o serviço de saúde quando tem algum
problema. Geralmente quando chega a um serviço, a sua doença já está
adiantada ou é irrecuperável, o que, certamente, onerará os cofres
públicos. O caso do diabetes é típico, pois quando se procura o médico,
a doença já está em estágios ulteriores. Por isso o modelo atual é caro,
oneroso e voraz, pois quanto mais cresce a população, avolumam-se os
problemas, devido ao crescimento da demanda.
Na atenção primária na saúde - a exemplo do que aconteceu em diversos
países, como a China, a Índia, e Cuba – não é o cidadão quem procura o
serviço, mas o inverso: o serviço procura o cidadão, através da visitação
domiciliar, seja do agente comunitário de saúde (elemento chave no
processo), do médico, da equipe multiprofissional, etc., que atuam em
postos avançados de saúde, preferencialmente dentro da comunidade. Desse
modo, muitas doenças que estão em desenvolvimento, sem apresentar ainda
sinais e sintomas, podem ser detectadas e tratadas, as mesmas que, mais
tarde, estariam exigindo internação, tratamentos caros, etc.,
consubstanciando as diretrizes da melhor das medicinas, que é a verdadeira
medicina preventiva. Além disso, cada cidadão ou família recebe orientação
preventiva, remédios, vacinas, orientação de higiene e alimentação, etc. de
modo a evitar as doenças, melhorando a qualidade de vida. Com isso, têm-se
condição de conhecer a situação de saúde da população de modo quase
personalizado (como o que ocorreu na China), onde relatórios rotineiros
apresentam a real condição da população.
Com isto diminui-se drasticamente a procura às clínicas e hospitais, o que
repercute na economia com as ações de saúde. Desde que esta inversão de
modelo e política se faça com a atuação conjunta de uma equipe
multiprofissional, consegue-se realizar aquilo que representa a chave que
abre a porta para a revolução no sistema de saúde no Brasil - compreendido
por poucos - que é a “desmedicalização” das ações de saúde, ou seja, reduzir
a carga sobre os médicos dessas ações e distribuir essa carga e a
responsabilidade para outros profissionais da área da saúde ou correlatos.
Esta é a recomendação da Organização Mundial de Saúde que, desde 1984, vem
divulgando as diretrizes da Medicina Tradicional e estimulando os países
membros a aplicar em seus sistema s de saúde a ideia de valorizar e
utilizar os recursos humanos e naturais. Com base nessa filosofia, o
nosso Ministério da Saúde lançou em 2006 a Política Nacional de Práticas
Integrativas e Complementares de Saúde, com a publicação posterior das
Portarias 971 e 853, que instituem recursos como a Fitoterapia, a
Acupuntura, a Homeopatia e vários elementos da Medicina Tradicional na
rede pública de saúde, o SUS, em todo o território nacional. Isso
representou um grande passo em direção a uma mudança ou evolução na oferta
dos serviços, mas essas portarias não estão regulamentadas e não estão
sendo postas em prática, a não ser em alguns municípios, porém de modo
insipiente. É necessário capacitar profissionais de saúde –
preferencialmente agentes comunitários de saúde e terapeutas naturistas -
para assumirem o desiderato apontado nessas portarias.
O Ministério da Saúde criou o PSF - Programa de Saúde da Família, que
está sendo aplicado em muitos estados e municípios, porém ele carece de
estrutura e de base, estando ainda centrado demais no médico. Esse
programa é importante e pode representar o ponto de partida para as
mudanças necessárias na política de saúde aqui apontadas, desde que
apropriadamente utilizado e adaptado.
Realidade:
O Brasil é o país de maior biodiversidade do mundo e o mais rico em
plantas medicinais e recursos terapêuticos naturais, além dos recursos
humanos culturais tradicionais como raizeiros, parteiras, curandeiros,
pajés, na mais exuberante etnomedicina conhecida. No entanto, é o terceiro
maior consumidor mundial de medicamentos e o país que paga pior os
profissionais da área.
Precisamos de recursos mais baratos, mais simples e eficazes, com as
plantas medicinais e outros recursos naturais, que não onerem a economia
familiar, do cidadão ou do próprio governo. Os fármacos - apesar de
necessários em muitos casos, principalmente agudos – são extremamente
caros e não curam as doenças de fato. Há recursos integrativos e
complementares mais simples como as ervas medicinais (muitas já
catalogadas e aprovadas pelo Ministério da Saúde) a terapia pelos
alimentos e recursos naturais, aos quais o povo brasileiro está
culturalmente identificado e adaptado.
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